ON: O senhor
é considerado como uma pessoa que tem uma opinião favorável
à Convenção Internacional
sobre o Comércio de Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas
de Extinção.
Entretanto, em sua palestra, o senhor que disse que comprovou
ser uma ferramenta menos útil do que havia sido suposto. Por
que??
PC: Eu não sou um defensor do CITES mas
um pragmático e me preocupo com a conservação de
orquídeas. CITES foi ratificado por 170 ou mais países
e, conseqüentemente, o mundo orquidófilo precisa trabalhar
com o CITES para assegurar que ele funcione em benefício da conservação
das orquídeas. A natureza do CITES, através da qual ele
é interpretado e operado diferentemente em muitos países,
causou problemas para horti-cultivadores e cientistas. Nós também
vemos contrabandistas operando livremente quando as autoridades sabem
o que eles estão fazendo, não há justiça
nisto e o resto de nós sofre.
ON: De que maneira
o CITES poderia ser modificado para se tornar mais eficiente?
PC: Melhor entendimento e melhor treinamento das
autoridades alfandegárias e de controle poderia ser um bom começo.
ON: O senhor
também falou sobre a dificuldade que os cientistas encontram
quando eles trabalham com plantas da lista das espécies ameaçadas.
O senhor é de opinião que eles deveriam ter alguma facilidade
no sentido de obter os certificados para estudo. De que modo isto poderia
ser feito?
PC: CITES permite o registro de instituição
para que espécimes possam ser trocados mas poucas instituições
em países ricos em orquídeas são registradas a
despeito dos pedidos para obter o registro de seus governos. Presume-se
que estes governos tenham medo de perder o controle da operação.
Na realidade, muitas instituições em países desenvolvidos
trabalham estreitamente ligadas com instituições estrangeiras
e a falta de registro impede realmente o trabalho de identificação
de material e troca de boas informações para a conservação
de espécies nativas.
ON: Os críticos
do CITES mencionam a inclusão de híbridos. Como pode um
híbrido artificial estar em perigo?
PC: Eles foram incluídos porque não
se espera que os funcionários das alfândegas possam distinguir
espécies de híbridos. Entretanto, se você tivesse
acompanhando as mais recentes mudanças, híbridos artificiais
de Phalaenopsis, Vanda, Dendrobium e Cymbidium
foram retirados da lista e podem ser legitimamente comercializados
sem CITES. Outros, com certeza, seguirão o mesmo caminho.
ON:
Frascos de seedlings foram removidos do CITES, assim eles não
estão mais sujeitos a restrições. Entretanto a
divisão de uma planta é considerada propagação
artificial e pode ser vendida no comércio internacional. Isto
não é uma incoerência?
PC: A exclusão de seedlings em frascos
era fácil de ser implementada. Divisões são menos
fáceis de serem identificadas. Entretanto, elas podem legalmente
comercializadas com o certificado do CITES. Se a desregulamentação
de híbrido prosseguir como esperado, deixará de ser um
problema.
ON: De que maneira
as pessoas interessadas em orquídeas (cultivadores e cientistas)
pode ajudar no sentido de promover o melhoramento do CITES?
PC: Agindo com responsabilidade
quando comprar plantas. Comparecer como observadores nos Congressos
sobre CITES que ocorrem a cada dois anos. Fazendo lobby e fornecendo
aos governos exemplos bem embasados para o melhoramento e mudança
das regras do CITES e sua implementação.
ON: O senhor
gostaria de acrescentar alguma coisa?
PC: No passado, a reação freqüentemente
irracional e mal informada da comunidade orquidófila ao CITES
prejudicou nosso trabalho no sentido de melhorar o CITES em benefício
da comunidade de orquídeas num sentido mais amplo. Pontos de
vista construtivos são mais úteis do que os negativos.
ON: Muito obrigada,
Phillip
Cribb.
Foto de Sergio
Araujo
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